
A Psicanálise não se pode definir pelo seu objecto, como por exemplo a Biologia; utiliza antes um método que resulta na aplicação de três procedimentos; são eles: a associação livre; a interpretação das resistências e a utilização da transferência.
A ASSOCIAÇÃO LIVRE acontece, quando o paciente na consulta, fala de tudo aquilo que lhe apraz dizer sem que haja qualquer censura prévia. Para entendermos quais os factores que podem interferir no livre curso do seu pensamento, vamos considerar o seguinte:
1- Os estímulos externos a que reagimos são os obreiros das nossas respostas;
2- Os estímulos internos, os estados pessoais (físicos e psíquicos) de cada um de nós determinam a qualidade do estímulo;
3- Os objectivos conceptuais que utilizamos nas associações (perder ou não o fio condutor de um raciocínio);
4- Os derivativos pulsionais de todos os impulsos que, quando recalcados tendem a encontrar uma forma de descarga para poderem libertar-se; aqueles que alimentam o nosso raciocínio e que estão subjacentes aos nossos comportamentos mais visíveis.
Na Psicanálise, a sessão terapêutica organiza-se pois para reduzir os três primeiros factores e dimensionar ao máximo os derivativos pulsionais. As luzes intensas, o divã pouco confortável, as cores garridas das paredes, devem pois ser suprimidos para não poderem influenciar negativamente o fluir da associação livre.
Outro procedimento igualmente importante na Psicanálise é a chamada INTERPRETAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS, isto é: tudo o que nos actos e palavras do paciente se opõe ao acesso ao seu inconsciente.
Poderemos definir melhor o conceito de resistência se utilizarmos a teoria do trauma. Em regra, depois de ocorrer uma situação traumática, tendemos a esquecer-nos do sucedido utilizando processos de recalcamento que podem ser devidos a várias motivações contrárias à ética, à moral ou à estética, para não citar outras. Os motivos desta “amnésia” são também os motivos da RESISTÊNCIA. Há como que um processo activo do próprio aparelho psíquico a manter no inconsciente todas as situações traumáticas.
Por último, a UTILIZAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS. A transferência, designa em Psicanálise, o processo pelo qual os desejos inconscientes se actualizam sobre determinados objectos no quadro da relação analítica. Trata-se aqui de uma repetição de protótipos infantis vivida como uma sensação de actualidade acentuada.Porque é este um procedimento utilizado no método psicanalítico? Porque nos permite perceber o tipo de experiências que o paciente vivenciou na infância e esqueceu, e, por outro lado, utilizar esse conhecimento para a sua cura.
Fernando Barnabé
Na Psicanálise, a sessão terapêutica organiza-se pois para reduzir os três primeiros factores e dimensionar ao máximo os derivativos pulsionais. As luzes intensas, o divã pouco confortável, as cores garridas das paredes, devem pois ser suprimidos para não poderem influenciar negativamente o fluir da associação livre.
Outro procedimento igualmente importante na Psicanálise é a chamada INTERPRETAÇÃO DAS RESISTÊNCIAS, isto é: tudo o que nos actos e palavras do paciente se opõe ao acesso ao seu inconsciente.
Poderemos definir melhor o conceito de resistência se utilizarmos a teoria do trauma. Em regra, depois de ocorrer uma situação traumática, tendemos a esquecer-nos do sucedido utilizando processos de recalcamento que podem ser devidos a várias motivações contrárias à ética, à moral ou à estética, para não citar outras. Os motivos desta “amnésia” são também os motivos da RESISTÊNCIA. Há como que um processo activo do próprio aparelho psíquico a manter no inconsciente todas as situações traumáticas.
Por último, a UTILIZAÇÃO DAS TRANSFERÊNCIAS. A transferência, designa em Psicanálise, o processo pelo qual os desejos inconscientes se actualizam sobre determinados objectos no quadro da relação analítica. Trata-se aqui de uma repetição de protótipos infantis vivida como uma sensação de actualidade acentuada.Porque é este um procedimento utilizado no método psicanalítico? Porque nos permite perceber o tipo de experiências que o paciente vivenciou na infância e esqueceu, e, por outro lado, utilizar esse conhecimento para a sua cura.
Fernando Barnabé
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