sábado, 28 de novembro de 2009

Crianças irrequietas (hiperactivas ou hipercinéticas) (II)


A agitação das crianças hiperactivas, traduzem-se em várias vertentes:- Relacional: as crianças são incapazes de estabelecer uma relação prolongada embora consigam vincular-se.- Psíquica: o próprio psiquismo sofre com a instabilidade.

São crianças incapazes de prestar atenção prolongada numa determinada tarefa.- Desarmonias cognitivas: podem surgir perturbações em diversos sectores.

- Motora: incapacidade para estarem quietas durante muito tempo.- Dificuldades ao nível da motricidade fina.

- Instabilidade psicomotora: crianças instáveis, irrequietas, agitadas, inquietas e hiperactivas. Esta hiperactividade é estéril, ou seja, estas crianças têm dificuldade em construir, em produzir, devido ao excesso de movimento.

Perante este quadro, os pais ou educadores devem ter uma atitude tolerante, embora nem sempre seja fácil consegui-lo.Quanto às causas da hiperactividade, a comunidade científica tem levantado várias hipóteses que passo a assinalar como as mais importantes.


- HIPÓTESE ORGANICISTA

Consideram que a causa da irrequietude e instabilidade da criança provém de uma disfunção cerebral mínima; algures no cérebro haverá uma qualquer disfunção cerebral que produzirá todo este quadro hiperactivo.

- PSICOPATOLOGIA

O contexto da instabilidade é variável. Para uma criança, a instabilidade pode surgir através de uma situação geradora de insegurança e de angústia. A agitação motora, é um sintoma, e, simultaneamente uma defesa contra a angústia. A instabilidade também pode surgir num contexto de relação Sado-masoquista, ou seja, a criança sadiza o outro sabendo que vai ter um castigo. São pois instabilidade de tipo neurótico.Para outros estudiosos, a irrequietude é permanente, endógena, faz parte da personalidade da criança, é o seu mecanismo de defesa fundamental.

Na relação precoce mãe/criança, não foi possível haver um ajustamento entre os dois seres. A mãe dificilmente pôde ter um papel contentor das angústias da criança e devolvê-las sobre outra forma (metabolizadas). Esta é a função “continente” da mãe, poder ser um suporte efectivo das suas ansiedades.

Quando a mãe é capaz de resolver as inquietações da criança e devolvê-las de outra forma, a criança, pouco a pouco, vai sendo capaz de se conter a ela própria. Vai desenvolvendo assim, um sentimento de confiança básica que lhe permitirá a interacção com os outros e a realização de tarefas. Se isto não acontece, a criança irá desenvolver um núcleo de desconfiança básica não acreditando em ninguém. Pode então, desenvolver angústias persecutórias e fugas constantes. Sob este ponto de vista a hiperactividade também pode ser encarada como um modo que a criança encontra para lutar contra um sofrimento depressivo irreparável.

Do meu ponto de vista, não devemos ater-nos apenas a uma hipótese, como representante da verdade; existem sempre muitas variáveis em jogo que é nosso dever equacionar e pesquisar. O que importa, antes demais, é desenvolver com estas crianças uma relação afectiva e securizante, não esquecendo o estabelecimento de limites, para que o vínculo alcançado, possa contribuir para o seu desenvolvimento psicoafectivo e psicomotor.

Uma grande capacidade de tolerância e de humanismo é preciso…

Fernando Barnabé

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