sexta-feira, 20 de novembro de 2009

A Noção de Traumatismo - As Perturbações Reactivas (II)


Será considerada traumática uma situação exterior que entra em ressonância com os temores fantasmáticos, confundindo a realidade com o fantasma, incapacitando a elaboração da situação. Ex: a criança que está em pleno processo edipiano, vê-se confrontado com a morte do pai; o seu desaparecimento vem confirmar as fantasias de morte próprias deste período; a criança pode pensar que, magicamente, matou o pai. Um outro exemplo seria a separação brutal e prolongada de uma criança em relação à mãe (6-18 meses) que podem ultrapassar as capacidades contentoras e adaptativas do Eu.

Deve-se a Masud Kan, psicanalista nascido em Punjab, na Índia (1924-1989) a noção de traumatismo cumulativo, isto é, pequenos micro traumas que ao acumularem-se originam efeitos semelhantes a um trauma de grandes dimensões, por ex: separações repetitivas podem originar sintomas semelhantes a um estado precoce de carência afectiva prolongada.As perturbações reactivas de um ponto de vista nosográfico (descrição da doença) situam-se entre as variações do normal e as organizações neuróticas. Trata-se de perturbações que já não podem ser consideradas como respostas passageiras a um conflito de desenvolvimento, mas que ainda não podem ser consideradas como neuroses organizadas.

Juan Antonio Vallejo, psiquiatra espanhol distingue vários tipos de patologia:
1- Parasitagens no desenvolvimento
2- Os conflitos de desenvolvimento
3- Conflito neurótico
4- Neurose
Quanto às parasitagens no desenvolvimento podemos descrevê-las como tudo o que do exterior pode perturbar o desenvolvimento normal do sujeito. Ex(s): as exigências intensas e prematuras da educação esfincteriana feitas a uma criança que ainda não tem capacidades para satisfazer essa exigência; exigência de imobilidade devido a doença; exigências escolares excessivas.

(Continua...)

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