quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Freud e as suas Teorias (II)


Para além de teorizar sobre as instâncias ou estruturas da personalidade, Freud, também se ocupou do seu desenvolvimento. Segundo ele, o desenvolvimento da personalidade coincide basicamente com o desenvolvimento da sexualidade, o que não se estranha, dado o amplo sentido que Freud atribui a este conceito, a de que o ser humano é motivado basicamente pela busca do prazer. A partir daqui a psicanálise defende que a personalidade desenvolve-se conforme os desejos sexuais e libidinosos se vão centrando em diferentes zonas corporais.

A primeira fase é a oral, assim chamada porque nela as satisfações sexuais, porque gratificantes, giram em torno da boca - como o acto de chupar, chuchar, levar objectos à boca, morder, etc. Esta fase dá-se aproximadamente por volta do primeiro ano de idade. Um desenvolvimento harmonioso da personalidade exige a gratificação adequada destes desejos orais.

A segunda fase é a anal que decorre mais ou menos até ao terceiro ano. Nela, o centro da actividade sexual é ocupado pelo ânus e num sentido mais amplo pelo controlo dos esfíncteres e pelos processos de eliminação. São várias as possibilidades de o desenvolvimento da personalidade ser perturbado nesta fase. Citarei algumas; a captação por parte da criança de que o amor dos pais está condicionado a que cumpra as suas exigências no que respeita aos processos de eliminação e limpeza; que a criança vivencie estes processos com certa apreensão e nojo; que encontre a possibilidade de exercer um poder sobre os pais à base do incumprimento das suas funções de evacuação.

A terceira fase denomina-se fálico-edipiana, e dá-se entre os três e os cinco anos, aproximadamente. As manipulações e as explorações que as crianças fazem aos órgãos genitais são a característica mais importante desta fase. Ao mesmo tempo, principalmente no final desta, sentem uma grande atracção pelo progenitor do sexo oposto, acompanhada de ciúmes em relação ao do mesmo sexo, o que é explicado por este surgir como rival no que respeita à posse do outro. Normalmente este conflito afectivo é resolvido mediante uma espécie de compromisso – o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe. Mas se o conflito não for resolvido, se não houver uma boa identificação ao progenitor do mesmo sexo, o desenvolvimento da criança pode sofrer alguma perturbação e na fase adulta é possível dar-mos conta de alguns comportamentos e atitudes que expressam a não resolução do conflito edipiano.

Depois destas fases iniciais e do processo edipiano, a sexualidade entra na chamada fase de latência, não voltando a aparecer até à adolescência ou à puberdade, momento em que a sexualidade surge já como autêntica genitalidade. Ao longo desta etapa adolescente e genital, o indivíduo pode conseguir a emancipação definitiva dos pais e tornar-se adulto.

O factor básico – segundo os psicanalistas – para que a personalidade alcance a maturidade adulta é eu não sofra privações fortes ou traumas importantes nos primeiros anos de vida, ou seja ao longo das primeiras fases. Por exemplo, pessoas que tenham sofrido insatisfações ou privações na fase anal podem tornar-se exageradamente avarentas ou demasiado obsessionadas pela ordem e pela limpeza. Neste sentido, poucos preserveraram tanto como Freud na importância da infância, sobretudo nas determinantes da primeira infância, para a constituição e desenvolvimento da personalidade. É que, uma pessoa afectiva e psicologicamente equilibrada e com capacidade de adaptação ao meio, em regra, não experiencia situações traumáticas na infância que ponham em causa o seu equilíbrio desenvolvimental.

Fernando Barnabé

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