sábado, 28 de novembro de 2009

O Desenvolvimento da Criança e do Adolescente - Teorias (III)


ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO

A maioria das teorias sobre o desenvolvimento é estruturada em estágios, apresentando a criança, em cada um deles, diferentes características.


ESTÁGIOS DE FREUD

- Fase oral (do nascimento aos 12-18 meses): a criança recebe gratificação através da boca, língua e lábios. Nesta fase, sugar e morder adquirem especial importância.

- Fase anal (dos 12-18 meses aos 3 anos): ânus e áreas vizinhas são fonte de interesse e gratificação, principalmente no acto de defecar; nesta fase, é importante o treino do controlo dos esfíncteres.

- Fase fálica (dos 3 aos 5-6 anos): a gratificação é obtida através da estimulação genital. Nesta fase encontra-se o complexo de Édipo. É comum a masturbação e está presente a angústia de castração (temor de perda ou dano dos òrgãos genitais).

- Fase de lactência (dos 6 anos até o início da puberdade): período de relativa tranquilidade sexual entre os anos pré-escolares e a adolescência. As pulsões sexuais são desviadas para objectivos aceites socialmente (estudo, desporto). Formação da consciência e do senso moral e ético (conceitos sobre o certo e errado, o bem e o mal) no final do período.

- Fase genital (da puberdade em diante): as mudanças hormonais dão origem à sexualidade adulta e a um novo tipo de relacionamento (intimidade) com o sexo oposto.


ESTÁGIOS DE PIAGET

- Sensório-motor (do nascimento aos 2 anos): o bebé modifica-se, de um ser que responde principalmente através de reflexos, noutra que é capaz de organizar as suas atividades relativamente ao ambiente.

- Pré-operacional (dos 2 aos 7 anos): a criança começa a usar símbolos, (função simbólica) tais como palavras, imita o comportamento dos outros, mas é ainda ilógica nos seus processos de pensamento, dado o seu elevado egocentrismo.

- Operações concretas (dos 7 aos 11 anos): a criança começa a entender e a usar conceitos que a ajudam a interagir com o ambiente imediato.

- Operações formais (dos 12 a 15 anos até a idade adulta): o indivíduo pode pensar em termos abstratos e a lidar com situações hipotéticas.


FASES

Frequentemente os pais mostram-se ansiosos com os comportamentos dos filhos, normalmente dizemos que é apenas uma fase característica do seu próprio desenvolvimento e que tenderá a desaparecer para dar lugar a outra fase. Talvez não ajude muito quando os pais estão à beira de uma crise de nervos, ou porque o filho está com problemas de sono, ou não se alimenta convenientemente ou porque tem crises de agressividade; mas não deixa de ser uma verdade.

Em relação a estas fases, um primeiro ponto importante a ressaltar, é que, o reconhecimento destes períodos com características marcantes e comuns a todas as crianças de uma determinada idade, ajuda a evitar a frequente tendência dos pais em rotularem os filhos. Muitas das manifestações típicas da fase actual não estarão presentes nas etapas seguintes, justamente por serem transitórias.

Outro aspecto que precisa ser reconhecido, é que, as características destas fases sucedem-se de forma previsível em todas as crianças e cada uma delas deve ser adequadamente vivenciada para que o desenvolvimento ocorra dentro da “normalidade”. Este conhecimento permite um entendimento melhor dos padrões normais do desenvolvimento e os comportamentos esperados em determinada idade, bem como a identificação de eventuais problemas. O que se considera normal numa idade pode ser definitivamente anormal em etapas posteriores.Os problemas podem ser identificados quando as características de uma determinada fase se mantêm presentes, interferindo significativamente nas etapas seguintes. Podem surgir então os desajustes cognitivos, sociais ou emocionais, como por exemplo, a persistência do uso de objectos estimuladores da oralidade ou a dificuldade em abandonar o uso de fraldas nas crianças mais velhas.

A sequência entre as diferentes fases não é automática, já que depende do amadurecimento do sistema nervoso central e das experiências que a criança vivencia. Ela pode demorar mais em algumas delas ou avançar de forma mais rápida que a média noutras, dependendo das características individuais, do ambiente e da estimulação que lhe é proporcionada.
É natural portanto, que possamos relacionar determinadas atitudes ou características do desenvolvimento às etapas vivenciadas por uma criança.

As teorias sobre o desenvolvimento tendem assim a determinar estágios, sendo que, em cada um deles, a criança apresenta características que os diferenciam entre si, age e vê o mundo de outra forma, interage com as pessoas e o ambiente de forma diferente e está preocupada com outro tipo de questões.

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